A maioria dos museus de automóveis é educada. Eles têm três Fiats antigos, um Porsche empoeirado e uma placa que explica por que não se pode tocar no vidro.
Henri Fradet não é educado.
Fradet não coleciona carros para ficar bonito. Ele os acumula. Durante quarenta anos, o entusiasta francês caçou Citroëns do pós-guerra com a paciência de um monge e o orçamento de uma baleia. O resultado? 120 veículos Citroën alojados no CitroMuseum, um amplo complexo em Castellane, nas profundezas dos pitorescos Alpes franceses.
Ele não quer peças restauradas. Ele quer sobreviventes de baixa quilometragem. Carros que cheiram a vinil dos anos 50 e gasolina velha. Carros que não foram levados ao esquecimento.
Ele viaja por toda a França para encontrá-los. E ele encontrou os bons.
As Três Câmaras do Tempo
O museu não é uma sala. É um tríptico.
Primeiro, você entra na era Traction Avant e DS/ID. Estes são os carros que definiram a arrogância da engenharia francesa.
Então, você atingiu a zona 2CV. O pequeno carro de dois lugares, o trator, a brincadeira que virou lenda.
Finalmente, há a ala moderna. Carros dos anos 70 aos 90. A época em que a Citroën começou a tentar ser normal.
Mas Fradet não está apenas empilhando metal. Se você olhar além dos para-lamas, verá que as paredes estão cobertas de documentos originais de pesquisa e desenvolvimento, placas de revendedores e kits de modelos. Este é um arquivo. Uma obsessão tornada física.
“Eu não queria apenas estacionar carros em um armazém. Eu queria a história.”
Traction 15/6: O sobrevivente do pós-guerra
A rigor, o Traction Avant foi lançado em 1934. Pré-guerra. Mas a linha de produção não parou quando a guerra terminou. Ele passou mancando.
O último exemplar saiu da linha em 1957.
Este modelo específico de 1952 tem um seis em linha de 2,9 litros. Ele empurra 77 cavalos de potência. Isso não é muito. Mas em um sedã com tração dianteira que parecia estar flutuando em uma nuvem? É o suficiente.
Este percorreu 40.000 quilômetros (25.000 milhas). Desde novo.
Estava com seu dono original, guardado dentro de casa, querido. Um colecionador comprou-o em 1973. Fradet adquiriu-o em 2016. Os pneus ainda estão duros. O couro ainda está macio.
DS Chassis 32: o primeiro do gênero
Aqui está a joia da coroa.
O DS (e seu irmão, o ID) é lendário. Mas a maioria dos exemplares foi construída em fevereiro de 1956, quando a produção em massa finalmente começou.
Este DS preto de 1955? É diferente.
Chassi número 32. O 14º DS já vendido. O exemplar mais antigo produzido em série que ainda existe.
Os primeiros 13 provavelmente foram descartados há décadas. Perdido pela ferrugem, pela guerra ou pela indiferença. Este sobreviveu.
Foi construído inteiramente à mão antes das linhas de montagem assumirem o controle. Entregue a um revendedor em Valence como demonstrador. Em vez de devolvê-lo à sede, o proprietário vendeu-o a um cliente fiel.
Ele dirigiu 69.000 quilômetros. Depois dormiu num museu na Holanda durante 13 anos.
Fradet trouxe para casa em 2004.
ID 19: O Fantasma Azul
O DS era caro. O ID era o primo do orçamento. Menos sofisticado, mesmo coração hidráulico.
Este ID 19 de 1963 é pintado Bleu de Provence. Um tom incomum. Uma sombra tranquila.
Tem 27.000 quilômetros rodados.
Fradet comprou do segundo dono. Ele estava morando na Noruega na época. A bomba hidráulica quebrou na beira de uma estrada belga. Uma válvula presa. Uma bomba quebrada.
Ele o enviou de volta à França para reparos? Não.
Ele tirou a bomba de alta pressão. Dirigi com freios mecânicos até a Noruega.
É uma ideia terrível? Sim.
É exatamente esse o tipo de coisa que você faz com um clássico raro? Também sim.
DS 21 Cabriolet: O Sonho
A lista continua.
O DS 21 Cabriolet de 1966 fica no canto. Teto solar levantado? Não, este é um Citroën. O teto solar está abaixado. Sempre.
Existem centenas de outros carros para ver. Mais de 120 no total. Cada um com sua própria história de negligência, recuperação e preservação teimosa.
A maioria dos colecionadores quer que seus carros brilhem.
Fradet quer que seus carros respirem.























